terça-feira, 13 de Maio de 2008

O Rouxinol

Numa noite de Maio..estando eu na minha varanda a debicar um chá, como é meu costume, ouvi um rouxinol cantar ao longe, o seu cantar era o mais bonito e melodioso que alguma vez ouvira...cantou sem parar, eu como que hipnotizado, pela sua garganta, não arredei pé...as notas que saiam daquele bico...enchiam o meu coração de emoção..e fiquei de pé toda a noite...a ouvir tamanha exibição.

Passei o dia todo ensonado...a dormir no trabalho, no regresso a casa...

Na segunda noite...cumprindo eu o ritual de muitos anos, fui à varanda beber um chá..asioso para saber se o meu novo companheiro estaria com vontade de cantar...meti a chávena nos lábios no silencio da noite e logo ouvi as melodias mais bonitas que os meus ouvidos alguma vez aprisionaram...mais uma vez toda a noite ali fiquei...

mais um dia de sono...zangado com toda a gente no trabalho, gritava com o trânsito no regresso a casa...a minha mulher ouvia plavras amargas da minha boca ao chegar a casa...tamanho era o cansaço, apenas ultrepassado pela vontade de ouvir aquele tenor alado mais uma vez...

E assim foi...noite após noite e o chá e o Rouxinol encontrávamo-nos naquelas noites...dia após dia..o meu humor foi ficando cada vez mais ressequido...

Fui despedido...mas à noite tinha o meu companheiro, a minha mulher pos-me fora de casa...arranjei um quarto com varanda mais perto da sebe onde pousava noite após noite o meu amigo...passava os dias a com o pensamento na noite...e a noite dormente...

Certa noite..o meu amigo não veio...e outra noite..ainda mais silenciosa que um cemitério..e outra e outra...determinado que estava a encontrar o meu amigo...vasculhei em livros e enciclopédias...encontrei isto : " Rouxinol Luscinia megarhynchos - Migrador de longa distância, Inverna em Àfrica...

Voltei de joelhos para a minha mulher que me deu o seu cotovelo...comprei um corda gorssa e pendurei-me pela garganta na varanda.

Locust

Alguma vez viste o sol derreter no verde da erva de um prado? Alguma vez desejaste sair dali e ir para o meio de uma cidade barulhenta e mal cheirosa? Bem me parecia que não, pois a esse prado só posso igualar o meu amor e a essa cidade a situação onde me encontro agora...

Então porque não mudas?! E vais para esse prado esplendoros, de que me falas?! e abandonas a cidade malfadada que me contas?!

Ele pulmões há, que o ar mais puro não suportam, por estarem demasiado habituados a sujidade e ares mais pesados...

Acreditarias ainda se te dissesse, meu bom amigo, que a minha mente se rejubila com tamanha complexidade do mundo e dos seus caminhos? Que a isso subjugo o meu coração, pois se de outra forma fosse uma cruz viveria nele a vida que me resta.

Love letter - Nick Cave

I hold this letter in my hand
A plea, a petition, a kind of prayer
I hope it does as I have planned
Losing her again is more than I can bear
I kiss the cold, white envelope
I press my lips against her name
Two hundred words. We live in hope
The sky hangs heavy with rain

Love Letter Love Letter
Go get her Go get her
Love Letter Love Letter
Go tell her Go tell her

A wicked wind whips up the hill
A handful of hopeful words
I love her and I always will
The sky is ready to burst
Said something I did not mean to say
Said something I did not mean to say
Said something I did not mean to say
It all came out the wrong way

Love Letter Love letter
Go get her Go get her
Love Letter Love letter
Go tell her Go tell her

Rain your kisses down upon me
Rain your kisses down in storms
And for all who'll come before me
In your slowly fading forms
I'm going out of my mind
Will leave me standing in
The rain with a letter and a prayer
Whispered on the wind

Come back to me
Come back to me
O baby please come back to me

segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Strangers in the night

- Estás a dormir?
....
- Estou...

- Acreditas em Deus? E no Amor?

- Que perguntas mais desnecessárias, não vez que estou a dormir, é óbvio que acredito..

- Amas-me para o resto da vida?

- Acaso não fui eu, aquele que te respondeu mesmo à pouco? Acaso não responde a todas as tuas questões a minha resposta...

sexta-feira, 9 de Maio de 2008

Macaquinho do Chinês

Deixem-me contar-vos isto...companheiros...

Havia um homem na aldeia que todos os dias subia um caminho estreito e pedregoso através do vale, todos os dias de madrugada...ao romper do Sol...saía ele de sua casa no sopé das montanhas e subia o vale..passando os seus lábios e caminhando bem para a sua barriga...

Todos os dias levava um ramo de flores colhidas no seu jardim e todos os dias regressava sem ele...

Resolvi segui-lo uma manhã bem cedo...disposto que estava a desvendar aquele mistério...

Caminhei entre os arbustos uns metros atrás dos ombros do homem, escondido nas curvas sinuosas do trilho... Ouvia o vento...soprar nas folhas..via raios de Sol estenderem-se como tentáculos por todo o vale..o rio que corria sereno a saltar entre as rochas ao meu lado.

Caminhei e caminhei, sempre escondido como um predador...sempre com os ombros do homem debaixo de olho. Estavamos já bem no interior do vale..dobrada uma curva..o homem desapareceu...!! Olhei abaixo e acima..prescrutei as encostas e o rio..corri uns metros mais à frente..o homem desaparecera....

Sentei-me no caminho a fixar a àgua corrente...o céu azul e limpo fez-me tremer com a sombra que agora se projectava sobre mim...olhei sobre os meus ombros...senti um camião embater na minha nuca...vi o meu corpo rebolar...e cair na água baixa do rio..a minha cara mergulhada na àgua e sangue que escorria em catadupa do meu nariz e fluir como fumo na àgua...vi um ramo de flores mergulhar ao lado da minha orelha..

Ouvi um voz distorcida e grave..." Estava à tua espera...! Nem sabes os ramos que gastei até tua espera..!" Vi o rio abrir-se no fundo..vi-me fluir com o sangue..vi planetas com luas e estrelas flamejantes...tudo preto..vi uma luz o fundo...o meu corpo impulsionado na direcção dela...Ouvi...

Parabéns...É uma menina!