Numa noite de Maio..estando eu na minha varanda a debicar um chá, como é meu costume, ouvi um rouxinol cantar ao longe, o seu cantar era o mais bonito e melodioso que alguma vez ouvira...cantou sem parar, eu como que hipnotizado, pela sua garganta, não arredei pé...as notas que saiam daquele bico...enchiam o meu coração de emoção..e fiquei de pé toda a noite...a ouvir tamanha exibição.
Passei o dia todo ensonado...a dormir no trabalho, no regresso a casa...
Na segunda noite...cumprindo eu o ritual de muitos anos, fui à varanda beber um chá..asioso para saber se o meu novo companheiro estaria com vontade de cantar...meti a chávena nos lábios no silencio da noite e logo ouvi as melodias mais bonitas que os meus ouvidos alguma vez aprisionaram...mais uma vez toda a noite ali fiquei...
mais um dia de sono...zangado com toda a gente no trabalho, gritava com o trânsito no regresso a casa...a minha mulher ouvia plavras amargas da minha boca ao chegar a casa...tamanho era o cansaço, apenas ultrepassado pela vontade de ouvir aquele tenor alado mais uma vez...
E assim foi...noite após noite e o chá e o Rouxinol encontrávamo-nos naquelas noites...dia após dia..o meu humor foi ficando cada vez mais ressequido...
Fui despedido...mas à noite tinha o meu companheiro, a minha mulher pos-me fora de casa...arranjei um quarto com varanda mais perto da sebe onde pousava noite após noite o meu amigo...passava os dias a com o pensamento na noite...e a noite dormente...
Certa noite..o meu amigo não veio...e outra noite..ainda mais silenciosa que um cemitério..e outra e outra...determinado que estava a encontrar o meu amigo...vasculhei em livros e enciclopédias...encontrei isto : " Rouxinol Luscinia megarhynchos - Migrador de longa distância, Inverna em Àfrica...
Voltei de joelhos para a minha mulher que me deu o seu cotovelo...comprei um corda gorssa e pendurei-me pela garganta na varanda.
terça-feira, 13 de Maio de 2008
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