Eu sabia que a lua estava lá fora...podia imaginá-la enquanto permanecia deitado imóvel na cama, a fixar o tecto de madeira...eu sabia que a lua espreitava por entre as paredes velhas do prédio...preenchendo de leite celestial cada fissura..quer do quarto quer do meu peito...ao meu lado o corpo dela..cansado de lutar com o meu...respira imóvel meio tapado...na almofada uma mancha de cabelos-óleo negros..espalhavam.se em leque..como se um pedaço da noite tivesse ficado preso ali...junto a mim. Queria levantar.me, vestir.me e sair dali...deixar aquele corpo quente e ainda húmido...e entrar na noite fria, acender um cigarro..descer a rua..o som dos meus sapatos...a cauda fugaz de um gato...mas não o fiz. . O meu cérebro estava agora na bigorna da consciência...o martelo batia forte bem no cimo do meu escalpe...sabia que não iria haver nada para além de dor..lágrimas naqueles olhos verdes...verdes que beberam as minhas palavras...os meus gestos dissimulados...que se deixaram encantar pelas minhas maneira infantis e paralelamente cavalheirescas..tudo obscenamente aquitectado...tudo...para quê?!...Que arda a carne deste pecador nos fogos eternos lá em baixo...Preso em mundos de salgueiros e luz obliqua sobre corpos nus...torrentes interiores...a dor..a perca...os jogos...o amor.... quero submergir num sono dormente...quero submergir em casas para pagar...em filhos e numa mulher a vida inteira para amar...Tou farto destas análises constantes, destas interpretações Cavernosas do mundo...quero ser eu...não este emaranhado de personagens...doentiamente trabalhadas...paridas arduamente em contrações psicóticas...
Eu quero desfragmentar.me...saltar e explodir em minusculas particulas de luz...quero entrar dentro de ti...amor...tou cansado..tou cansado de lutas interiores..de legiões de demónios leprosos que me assaltam dia após dia...noite..terrivelmente após noite..quero deitar.me no teu colo...sentir a tua respiração quente no meu ouvido...húmida e doce...como vem, bem do interiror do teu peito. Quero ver o teu pé nu, amor...derrubar a gota de orvalho..que pende frágil e fria nas pétalas dum lirio...em manhãs isoladas em colinas imaginadas. Quero ver.te na floresta, a luz laranja vitrea...rompendo as folhas denteadas...o teu corpo eternamente perecível...entre os troncos e o ar carregado de um silêncio invisível...
Aqui neste quarto, amor, hoje...enquantos estas palavras saem da minha boca...ondulantes e trémulas...como mariposas hipnoticamente atraidas pela lua do teu ouvido...algumas ficam presas no teu cabelo amor...morrendo sob o gume aguçado dos dentes da tuas escova, amanhã,...Não faz mal...algumas palavrastêm de morrer...para outras poderem viver...eternas.
Fica aqui comigo esta noite...esta noite preciosa..roubada do tesouro infinito do cosmos...escorrega comigo..vamos incendiar esta cama...vamos derreter a carne...viscosa como a lava..., vamos capturar o Sol...mantê-lo prisioneiro numa jaula de costelas de açúcar...vamos observar de mãos dadas, as grades a cederem uma após a outra...o liquido doce que escorre..para solidificar nos nossos pés...irónicamente agrilhoados agora um ao outro, a esta cama e a esta melancolia...derrotados pela força primordial do dia...
terça-feira, 25 de Março de 2008
Subscrever:
Enviar comentários (Atom)
1 comentários:
Enviar um comentário