Do ponto onde me encontro, consigo ver para lá de 10km na paisagem à minha frente, no campo próximo as ervas dobram-se com o peso do vento, nos campos mais afastados, nada se mexe. Nas minhas costas, toda uma sala cheia de gente, virada toda na mesma direcção, antagónica à minha. Repetem orações metodicamente, entre bocejos e olhares. Um codorniz vocaliza nos prados, o dia vai saindo de cena ao som dos aplausos dos plátanos. Fecho os olhos..procuro com o nariz pelo meio dos cheiros a pedra, madeira, incenso e hipocrisia, um cheiro sensual a pele. Ela está lá dentro, devota ao Senhor que já lhe virou costas, como eu. O corpo dela invadido pela tristeza não deixa de fazer com que a deseje ainda mais, os olhos cheios vertem como dois baldes esquecidos à chuva. De repente veio-me à cabeça a imagem de alguém a amanhar uma galinha, a retirar as entranhas e pedaços de gordura para dentro de um balde e um cão sentado a abanar a cauda.
"Santo, Santo, Santo, o Senhor é a fonte de toda a Santidade..."
sexta-feira, 15 de Maio de 2009
quarta-feira, 29 de Outubro de 2008
*
Como sabemos que estamos loucos? Uma questão velha e típica da filosofia barata, daqueles que logram tocar a face leprosa da loucura, em busca de profundidade psicológica, reconhecida pelos outros. Não quero estar louco, quero o meu cérebro optimizado, aguçado como uma navalhinha. Compreendo perfeitamente aqueles que buscam profundidade psicológica e que a expõem apenas para conseguir engatar uma rapariga, esses não fazem mais nada senão seguir o instinto mais básico da sobrevivência...mas não os desculpabilizo, pois coisa há, que por mais justificável que seja, não deve ser livre de culpa, moralmente falando. É contudo certo que a moral é feita pelos Homens e para os Homens...em nada prevê as irracionalidades do amor.
terça-feira, 14 de Outubro de 2008
Mediterrâneo
"Tudo me é permitido, mas nem tudo é conveniente.
Tudo me é permitido, mas não me posso deixar dominar por coisa nenhuma(...)"
Biblia, I Coríntios 6,7
Já vos disse irmãos, que conheci uma rapariga que gostava de ser um peixe!? Ela tem sangue entre as pernas e na sua fronte...eu tenho sabor a ferro no meu paláto. Ela tem escamas nas pálpebras..e eu barbatanas nos pulsos.
Tudo me é permitido, mas não me posso deixar dominar por coisa nenhuma(...)"
Biblia, I Coríntios 6,7
Já vos disse irmãos, que conheci uma rapariga que gostava de ser um peixe!? Ela tem sangue entre as pernas e na sua fronte...eu tenho sabor a ferro no meu paláto. Ela tem escamas nas pálpebras..e eu barbatanas nos pulsos.
segunda-feira, 28 de Julho de 2008
Trabalhei arduamente no vale das tuas pernas
Tenhos os olhos inchados de tanto pensar...escavo com uma pá de folha de diamante..aquilo que penso ser..o solo consagrado do Amor. Sabem que mais...?! Qual foi o meu espanto ao ver que haviam vermes a rodopiar na ponta da minha pá..haviam também raízes e tuberculos. Sujei as minhas botas e calças...esborrachei uma toupeira com o pé...
sábado, 26 de Julho de 2008
Darwin gostava de homens
Sou apenas um animal...
Quando como
Quando durmo
Quando fodo
Quando salto
Quando morro
Sou apenas um animal...
Quando fico inebriado com o cheiro dela
Quando vejo a luz escorrer-lhe no cabelo
Quando sinto o cheiro atrás das orelhas
Quando sinto saudades da carne dela
Sou apenas um animal...
Quando escrevo textos....segundo Darwin não o sou!!! Pois que há de favorável na evolução de um individuo que escreve textos?!
Quando como
Quando durmo
Quando fodo
Quando salto
Quando morro
Sou apenas um animal...
Quando fico inebriado com o cheiro dela
Quando vejo a luz escorrer-lhe no cabelo
Quando sinto o cheiro atrás das orelhas
Quando sinto saudades da carne dela
Sou apenas um animal...
Quando escrevo textos....segundo Darwin não o sou!!! Pois que há de favorável na evolução de um individuo que escreve textos?!
terça-feira, 22 de Julho de 2008
Ontem
A tarde passava vagarosa e pesada sob o calor de verão...tinhamos os pés sentados na sombra de salgueiros...a àgua fétida e parada...canas e silvas... O corpo dela agarrado aos pés..permanecia imóvel e dourado...como que feito de lama, ali na margem sombria.. As sombras estilhaçavam-se à nossa volta..o sol como manteiga escorria entre as copas...solidificando nos minusculos pêlos do braço dela... Eu vi isto tudo, eu estava lá..naquele momento, com ela, naquele alinhamento cósmico...desde o peixe que vive no fundo ao Deus no universo fecundo...ligados pelas teias das aranhas douradas...que trabalham dia e noite...noite e dia. Eu juro que vi...vi as silvas...esticarem os braços...enrrolarem-lhe os tornozelos e pulsos...uma coroa de espinhos...a Natureza reclama o corpo dela.. Aposto que se ainda lá formos, aquele local..onde os nossos corpos receberam a humidade do solo...ainda podemos encontar um cabelo dela..um pedaço de pele..palavras presas nas silvas...pensamentos envoltos em manteiga solar...
segunda-feira, 16 de Junho de 2008
Aveiro
Andava eu dentro dos meus sapatos a deslizar rua abaixo, quando os meus olhos viram a rapariga mais bonita que eu alguma vez imaginara. Vinha rua acima na minha direcção, ia passar ombro a ombro comigo...iria sentir o rasto de perfume depois de ela passar..iria ele enrrolar.se na minha graganta e sofucar-me...talvez até perdess os sentidos...
Brilhante como uma espada ao Sol, ai vinha ela, equilibrada nos seus tornozelos...sob o peso da sua beleza...
- eu tenho de agir...pensei! Ela não pode simplesmente passar sem perceber a reacção que em mim causou..o turbilhão que aquela pele invocou...
Ao passarmos um pelo outro...para minha surpresa ela dirigiu-me a palavra e disse:
" Andava eu dentro dos meus sapatos a deslizar rua acima, quando os meus olhos viram o rapaz mais bonito que eu alguma vez imaginara. Vinha rua abaixo na minha direcção, ia passar ombro a ombro comigo...iria sentir o rasto de perfume depois de ele passar..iria ele enrrolar.se na minha graganta e sofucar-me...talvez até perde-se os sentidos...
Brilhante como uma espada ao Sol, ai vinha ele, equilibrado nos seus tornozelos...sob o peso da sua beleza...
- eu tenho de agir...pensei! Ele não pode simplesmente passar sem perceber a reacção que em mim causou..o turbilhão que aquela pele invocou...
- Ao que eu respondi..."Vai-me desculpar, mas a sra deve estar louca...boa tarde!"
Brilhante como uma espada ao Sol, ai vinha ela, equilibrada nos seus tornozelos...sob o peso da sua beleza...
- eu tenho de agir...pensei! Ela não pode simplesmente passar sem perceber a reacção que em mim causou..o turbilhão que aquela pele invocou...
Ao passarmos um pelo outro...para minha surpresa ela dirigiu-me a palavra e disse:
" Andava eu dentro dos meus sapatos a deslizar rua acima, quando os meus olhos viram o rapaz mais bonito que eu alguma vez imaginara. Vinha rua abaixo na minha direcção, ia passar ombro a ombro comigo...iria sentir o rasto de perfume depois de ele passar..iria ele enrrolar.se na minha graganta e sofucar-me...talvez até perde-se os sentidos...
Brilhante como uma espada ao Sol, ai vinha ele, equilibrado nos seus tornozelos...sob o peso da sua beleza...
- eu tenho de agir...pensei! Ele não pode simplesmente passar sem perceber a reacção que em mim causou..o turbilhão que aquela pele invocou...
- Ao que eu respondi..."Vai-me desculpar, mas a sra deve estar louca...boa tarde!"
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